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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Spoiling: a febre para desvendar os segredos dos realities americanos chega à missa de sétimo dia de Norma Pimentel Amaral

O post de hoje fala sobre o fenômeno Spoiling, a inteligência coletiva na prática. Spoiling é o termo utilizado para descrever as comunidades virtuais que são criadas para desvendar os segredos de programas de televisão. Vou contar brevemente como tudo começou e comentar um fenômeno recente, no Brasil.

Henry Jenkins, autor de "Cultura da Convergência", conhecido como o santo-padroeiro-da-revolução-digital, descreve algumas ações que provam que a cultura popular está sendo remodelada. Um de seus estudos fala sobre o Spoiling, processo que se percebeu comum entre os espectadores do reality television norte americano Survivor.
O programa foi trazido para o Brasil como No Limite, exibido pela Rede Globo, em 2000. Neste mesmo ano, o reality estadunidense virou assunto na rede, quando os espectadores compartilhavam pistas sobre os próximos eliminados e quem venceria o programa. O produtor executivo, Mark Burnett, mantinha todos os segredos bem guardados e, para garantir o sigilo absoluto, termos de multas contratuais altíssimas eram assinadas por todos os envolvidos.
O resultado disso tudo foi a fascinação em torno das "botinadas", os "quatro finalistas" e o "único sobrevivente", que recebia o pé de meia de US$ 1 milhão.

Survivor, o reality norte americano 
que chegou ao Brasil como No Limite

O termo
Spoiler, em inglês, significa estragar. O termo pegou devido à diferença de fuso horário nos Estados Unidos. Ou seja, a população da costa leste conferia a programação três horas antes que a população da costa oposta. Na internet, isso é tempo suficiente para estragar a surpresa dos episódios que até então eram inéditos. Com o tempo, a comunidade de fãs transformou o "spoiling" num jogo para descobrir as novidades que iriam ao ar na telinha.

De Survivor à Insensato Coração
Lendo as descobertas de Henry Jenkins, identifiquei com um exemplo atualíssimo no Brasil. A novela global Insensato Coração virou assunto nas redes sociais. Os fãs do novelão participam de enquetes, fazem piadas, levantam suspeitas sobre os finais dos personagens e, especialmente, sobre quem matou Norma Pimental Amaral, vilã interpretada por Glória Pires. O próprio site de Insensato Coração estimula a participação dos espectadores, que além da contribuição em enquetes, podem "interagir" com os personagens, por meio de links como o site do bar do Gabino (Guilherme Piva), blog da Natalie Lamour (Deborah Secco) e até mesmo no Twitter de algumas personalidades da ficção.
A última novidade curiosa foi a missa de sétimo dia de Norma, que bombou no Facebook. Em uma busca inicial, encontrei mais de 20 agendamentos para o evento. Um deles, com 3.665 confirmações e comentários envolvendo outros personagens, como "Eu posso levar a tia Neném?". (Tia Neném é uma senhora alcoólatra mal intencionada interpretada por Ana Lúcia Torre, que arranca boas risadas dos noveleiros).

Quem se arrisca a adivinhar quem
matou Norma Pimentel Amaral?

A inteligência coletiva - soma total de informações retidas individualmente pelos membros de um grupo - tem se mostrado cada vez mais influente e participativa. Podemos voltar a falar disso em casos mais impactantes, mercadologicamente falando. Mas pode ser depois da novela?


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