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Kodak marcou minha infância. Em Jundiaí, frequentava uma grande Kodak no centro e outras duas, localizadas nos respectivos shoppings da cidade. A máquina da minha mãe era Kodak. Comprávamos negativos Kodak e revelávamos as fotos (que eram surpresa!) em uma das lojas citadas. Anos se passaram e eu ganhei a minha primeira
máquina digital no início da faculdade, e já não era Kodak. Não compro mais negativos e revelo as fotos - sempre criteriosamente selecionadas e editadas - meses depois de clicadas.
A notícia do último dia 19 de janeiro sobre o pedido de
concordata da Kodak não é surpreendente. Mas certamente entristece pessoas que, como eu, tiveram vínculos emocionais com a marca fundada em 1888. A concordata é a
negociação derradeira: a última chance de reerguer. A empresa financiou um empréstimo de US$ 950 milhões e contratou Dominic Di Napoli, vice-presidente do conselho da FTI Consulting Inc., para assumir a diretoria de reestruturação, participando do
grande desafio deste período nebuloso.
Fábrica da Kodak, nos Estados Unidos
Alguns negócios se esgotam com a evolução tecnológica. Com a máquina de escrever foi assim... Na trajetória da comunicação, passamos por uma série de formações culturais desde muitos séculos. Primeiro surgiu a
cultura oral, formada por cantos, danças e pelo teatro. Depois, veio a
escrita, ainda registrada em pedra, couro e no papiro. Séculos mais tarde, a partir de Gutenberg - o inventor da imprensa - tivemos a
cultura impressa. Foi com a
cultura de massas, a partir dos anos 1920, que deparamos com o jornal, o telégrafo, a fotografia, o cinema, o rádio e a televisão simultaneamente. A era mecânica misturava-se com a eletrônica. Posteriormente, a
formação cultural das mídias chegou, por volta de 1980, com novidades como fotocopiadoras, videocassetes,
walkmans, indústria de filmes e a TV a cabo.
Hoje, estamos em plena
cibercultura, em que a comunicação é tida por meio de
plataformas digitais e, a cada dia, o uso de
equipamentos móveis é mais comum. Difícil saber qual espaço o tradicional negócio da Kodak pode ocupar neste universo virtual. No caso da imagem, a evolução passou pela cinematografia, pela imagem televisiva, pelas geradas computacionalmente, pelas digitais, capturadas por
webcams até chegarmos nos celulares. Hoje, com o crescente uso de dispositivos como
smartphones e
tablets, as imagens são enviadas e manuseadas nas pontas dos dedos e podem passar de um lado para o outro do globo em questão de segundos.
Espero, sinceramente, que a Kodak encontre uma solução para seu negócio, seja por meio de um nicho de mercado ou com o lançamento de produtos que atendam à sede pelo compartilhamento da geração 2.0. Ou então, a marca terá apenas um lugar especial na mente de adultos que, como eu, guardam lembranças em forma de fotos antigas: uma maneira prazerosa de reviver momentos especiais.